Nas margens de mim, crescem as flores.
Regadas pelo transbordar do meu ser, por horas felicidade, por horas melancolia.
Em cada pétala retalhada de maneira insensata pelo vento impiedoso existe um tanto quanto muito de mim.
Um tanto quanto muito de gotas salgadas carregadas da minha essência.
Se não fosse pelo meu transbordar e transceder, as flores não nasceriam e não atrairiam olhares.
Alguns são atraídos pela extravagância, outros pela quietude, ou até por tristeza.
Não me importo com a atenção. Nunca me importei.
Na verdade os pássaros curiosos que pousam nos frágeis galhos das flores me atormentam.
Desejaria que partissem, mas parece que o doce aroma os mantém concentrados. Estáticos.
Existe uma maneira de evitá-los.
Cessar o transceder, o transbordar. O tanto quanto muito do salgar das terras férteis.
Na margem de mim, morrem as flores.

03/07/2013

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